domingo, 23 de novembro de 2014

A OBJETIVIDADE DO CONHECIMENTO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS

Weber parte de três questões fundamentais para a prática científica
1.       A distinção entre juízo de valor e realidade empírica
2.       A crítica às ideias das “leis” e “conexão regular”
3.       O significado da validade objetiva ou do “tipo ideal”

A DISTINÇÃO ENTRE JUIZO DE VALOR E REALIDADE EMPÍRICA
Primeiro passo para uma investigação cientifica é o afastamento dos juízos de valor, o que para Durkheim seriam as pré-noções. Isso não quer dizer uma postura indiferente ao mundo. Juízos de valor para Weber são opiniões pessoais, são impressões da realidade e nada tem de objetividade. Há uma preocupação em Weber em declarar o juízo de valor no campo das crenças, sem validade objetiva. Pois para ele é dever da ciência esclarecer os caminhos que foram percorridos até chegar ao resultado obtido.  O juízo de valor tenta, às vezes, esconder elementos que são incômodos, o que Carl Sagan chama de pseudociência. Um juízo de valor se situa no plano da emoção para com a realidade, é um mecanismo opinativo.
O saber científico metódico, sistemático opera na busca de ver a realidade como ela é. O saber objetivo opera com pressupostos reconhecidos por toda a comunidade acadêmica.

CRÍTICA AOS MODELOS DE LEIS E CONEXÃO REGULAR
Ao comprar objeto e método das ciências sociais e naturais da natureza encontramos leis de determinadas relações casuais. Para Weber, os problemas culturais que regem a humanidade nascem a cada instante sob um aspecto diferente e variável. Não há como pensar em determinações já que os cursos e as ações são improváveis. A única lei que podemos formular é que não há lei. Weber assinala que o cientista social trabalha com padrões de regularidade e não com leis.
O SIGNIFICADO DA VALIDADE OBJETIVA OU DO TIPO IDEAL
Weber é enfático ao discorrer que não há uma total objetividade da vida cultural que possa ser empregada através da análise científica, sempre há o elemento da parcialidade nas análises sociais. Então qual é a lógica que se fundamenta e se estrutura nossa ciência? A resposta de Weber se fundamenta na construção do tipo ideal como recurso metodológico capaz de se esquivar dos juízos de valor e da subjetividade. O tipo ideal é um conceito racional construído através das ideias, com a finalidade de comparar a realidade.  A finalidade do conceito de tipo ideal é tomar consciência não do que é genérico, pelo contrario, mas das especificidades dos fenômenos culturais.


A POLÍTICA COMO VOCAÇÃO

A política como vocação foi uma palestra proferida pelo sociólogo alemão Max Weber aos estudantes da Universidade de Munique em 1919 e publicado em outubro do mesmo ano. Neste ensaio Weber funda a definição do Estado que se tornou clássica para o pensamento Ocidental, atribuindo-lhe o monopólio de violência.
A política como profissão se tornou clássica dentro da ciência política.
O Estado como detentor do monopólio de violência: Weber entende como política qualquer tipo de liderança independente de sua ação. Por ser um tema de grande abrangência dentro das ciências humanas o autor delimitou o uso do termo ao tipo de liderança exercida pelos sindicatos, associações políticas e pelo Estado. ELE RECONHECE QUE O MEIO DA FORÇA É UM MEIO ESPECÍFICO DO ESTADO.
Para Weber, o Estado é uma comunidade humana, que pretende com êxito o monopólio do uso da força física dentro de um determinado território. Assume-se como a única fonte do direito do usufruto da violência.
Para Weber, existem três formas de legitimação de dominação, são elas:
1. Dominação tradicional: os dominados são dependentes do senhor e ganham cargos ou privilégios feitos por ele.
2. Dominação carismática: os dominados obedecem em razão das qualidades excepcionais do dominador, as quais lhe conferem poder de comando.
3. Dominação racional-legal: baseia-se em um estatuto, que pode criar ou modificar normas. A autoridade do dominante decorre do ato normativo.

Viver DA e PARA a política.
Weber discorre sobre a formação do Estado Moderno e a criação de uma figura peculiar, o político profissional. Ele diferencia dois tipos de políticos, os que vivem da política e os que vivem para a política.

POLÍTICOS QUE VIVEM DA POLÍTICA: é aquele que não possui recursos materiais para a sua subsistência. Sua atuação política se confunde com ideais, luta de classes e um meio para conseguir renda.
POLÍTICOS QUE VIVEM PARA POLÍTICA: representa o tipo ideal, pois sua independência financeira é também uma independência dos objetivos da vida pública.

ATRIBUTOS DE UM POLÍTICO VOCACIONADO – a raiz da vocação está intimamente ligada a forma de dominação carismática. A este tipo de dominação que Weber discorre no texto. Os homens não obedecem ao líder carismático por normas ou leis, simplesmente porque acreditam nele. Há 3 qualidades que fazem o político vocacionado.

PAIXÃO: dedicação apaixonado a uma causa.
SENSO DE RESPONSABILIDADE: como guia de ação.

SENSO DE PROPORÇÃO: analisar os problemas com seriedade e calma.

REFLEXÕES SOBRE O HOMO SOCIOLOGICUS

Elisa Reis tenta fazer um diálogo entre as obras de Durkheim e Weber. Esse diálogo é quase inexistente dentro das ciências sociais embora os esforços para uma multidisciplinaridade estejam em voga. As abstrações do humano são estudas, segundo a autora, em fatias: na psicologia, na antropologia, na sociologia, etc. Ainda assim, no final deste milênio ganharam uma revalorização o ensaísmo e o generalismo, entrando solo fértil na tradição bacharelesca intelectual. As ciências sociais dizem respeito ao mundo da cultura e estarão eternamente condenadas a perpétua “imaturidade”.
A autora questiona quem seria o sujeito contemplado pela sociologia. Dahrendorf em 1973 tentou uma solução um tanto frustrante, fragmentando o homos sociologicus no interior da própria sociologia. Assim, o humano seria um apanhado de representações, sem face.
A abstração típica da sociologia fica a cargo do homem durkeimiano e do homem weberiano. A lógica econômica que perpassa a razão dos diversos homines tipificados pelas ciências sociais se comporta de forma análoga ao homo economicus.
O economicismo impregna todo o nosso raciocínio e impõe a abstração do homo economicus como referencial para as mais diversas disciplinas. Podemos citar como exemplo os estudos de Mary Douglas e Baron Isherwood sobre o consumo e sua crítica ferrenha ao utilitarismo na célebre obra “O Mundo dos Bens: para uma antropologia do consumo”.


HOMEM SOCIOLÓGICO DE DURKHEIM
– é um ator que se conformaria às determinações do social.
- ao se focalizar exclusivamente no impacto das condições sociais sobre os indivíduos ele se esquece de focalizar as maneiras como os indivíduos interpretam, assimilam e respondem às condições sociais.
 - Durkheim se recusa a aceitar as premissas individualistas, pois ele identifica o individuo no âmbito coletivo.
- é a sociedade que cria os indivíduos
- minha própria interpretação nesta prova seria um fato social e deveria ser tratado como uma coisa produzida pela sociedade.


HOMEM SOCIOLÓGICO DE WEBER
- o homem social é dotado de comportamento significativo
- o homem social é dividido em fatias analíticas: religião, economia, política, etc e a questão disciplinar é apenas um recurso estratégico da atividade científica.
- o modelo weberiano, como de Durkheim, critica o homo economicus.
- para Weber o próprio homem é responsabilizado perante a história de seus atos.


O MÉTODO SOCIOLÓGICO DE DURKHEIM

O método sociológico de Durkeim parte de quatro concepções:
1.       A contraposição ao conhecimento filosófico da sociedade
2.       Os fenômenos sociais são exteriores aos indivíduos
3.       Os fatos sociais são uma realidade objetiva
4.       O grupo exerce coerção sobre o individuo

Durkeim elaborou regras para seu método sociológico, são elas:
1.       Regras relativas à observação dos fatos sociais: aqui, para Durkheim os fatos sociais são tratados como coisas, para ele, “coisa é tudo aquilo que é dado, que se impõe a observação”. Neste aspecto, o cientista social é empirista, objetivista e indutivista.
2.       Regras relativas à constituição dos tipos sociais: monografias detalhadas devem ser elaboradas sobre a sociedade individualmente comparando semelhanças e diferenças e elaborando grupos e tipos sociais. Esse método é conhecido como morfologia social.
3.       Regras relativas à explicação dos fatos sociais: Comte e Spencer explicavam os fatos sociais pela sua utilidade, a vida cotidiana. Para eles os fatos sociais partiam da natureza humana. Para Durkheim isso era errado. Para o autor, não há como explicar os fatos sociais apenas pela sua utilidade, isso não ajuda a entender como eles surgiram e nem o que são.
4.       Regras relativas à administração da prova: nesse ponto, os métodos que decorriam eram experimentais, ou seja, eram produzidos artificialmente pelo observador.

O método sociológico de Durkheim não tem nenhuma vinculação filosófica e nenhuma ligação com qualquer visão de mundo ideológica. É um método que não afirma nem a liberdade nem o determinismo.
Para o autor, os fatos sociais devem ser tratados como coisas e como tais devem ser tratados.

Durkheim afirma que a sociedade tem natureza própria e que não depende da natureza humana nem das manifestações das consciências individuais. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Faminto por mudança - HUNGRY FOR CHANGE

Gostaria do fundo do coração que você parasse uma hora qualquer e assistisse esse documentário, nunca é tarde para mudar. Não estou levantando a bandeira de dietas malucas e perda de peso acelerada, não. Está acontecendo no mundo movimentos que lutam para uma alimentação natural, saudável. A alimentação que comemos hoje são produtos industrializados e sem nutrientes com alto teor de açúcar e substâncias químicas. O documentário "Hungry for change" (2012) é uma introdução de como nos alimentamos hoje. Se apropriar de decisões que tomamos ao ingerir um alimento é a grande sacada para o início de uma mudança. Para isso, as ideias precisam ser propagadas. No site FOODMATTERS (http://www.foodmatters.tv/) são encontradas outras informações e outros filmes.

Os meus vazios cheios

De tanta filosofia quero água morna Correr na grama para longe de gente morta Invisíveis olhos negros, pérolas negras Me levem daqui, lon...